No registro da candidatura à reeleição, em 8 de agosto, o presidente Lula (PT) declarou ao TSE patrimônio de R$ 4.775.650,64, segundo o Poder360. É uma queda nominal de R$ 2,65 milhões, ou 35,7%, em relação aos R$ 7,42 milhões declarados em 2022; descontada a inflação do período, a redução real chega a 46%, no cálculo do mesmo site. No dia do registro, a campanha, procurada pela Folhapress, não explicou a variação.
O detalhamento mostra de onde saiu a diferença. Os dois planos de previdência VGBL, que eram R$ 5,5 milhões em 2022, aparecem agora com R$ 3,3 milhões, cerca de 69% de tudo o que o presidente declara; dos três apartamentos de 2022, restou metade de um imóvel (R$ 739,2 mil em imóveis no total); de dois veículos, ficou um Chevrolet 2010/2011 avaliado em R$ 50 mil; e a participação na empresa de palestras L.I.L.S. está lançada por R$ 49 mil. A explicação para a queda veio depois, pelo blog de Malu Gaspar, no O Globo: Lula teria feito antecipação de herança em vida aos filhos, transferindo a eles parte dos bens, movimento descrito como organização sucessória. Doação em vida é instrumento legal e comum de planejamento familiar, registre-se; o conteúdo completo do post, porém, não pôde ser auditado de forma independente por esta redação, porque o site do O Globo bloqueia leitura automatizada, e fica aqui atribuído ao blog.
O outro lado da régua: Flávio quase dobra
Na mesma temporada de registros, o senador Flávio Bolsonaro (PL) declarou R$ 8,186 milhões, quase o dobro do presidente, segundo o Poder360: o maior bem é uma casa no Lago Sul, em Brasília, avaliada em R$ 6,2 milhões. Em 2018, na última declaração ao TSE, o hoje candidato havia declarado R$ 1,74 milhão; a alta é de 370% nominal e de 210,8% em termos reais, no cálculo do site. Os dois movimentos, a queda de Lula e a multiplicação de Flávio, são igualmente dignos de escrutínio, e nenhum dos dois é, por si, indício de irregularidade.
Transparência não é favor, é o preço do cargo
A declaração de bens ao TSE existe para isso: permitir que o eleitor acompanhe a evolução patrimonial de quem pede seu voto. Dela se extraem os fatos acima; o que não se extrai é resposta às perguntas que naturalmente se seguem. Quais bens foram doados, quando, a quais filhos e por qual valor? O que explica, do outro lado, a valorização que multiplicou o patrimônio do adversário? Nenhuma das duas perguntas embute acusação; ambas embutem o direito do eleitor de saber. Candidato que se antecipa e explica em detalhe a própria declaração presta um serviço à confiança pública, e a régua, como sempre nesta coluna, vale para os dois lados da cédula. Em outubro, quem audita é o voto.
Fontes
O Globo, blog Malu Gaspar: Lula antecipa herança para filhos e patrimônio cai 35% (08/2026)
Poder360: Lula registra candidatura e declara R$ 4,8 milhões em bens ao TSE (08/08/2026)
Poder360: Flávio declara R$ 8,1 milhões em patrimônio, quase o dobro de Lula (13/08/2026)
Folhapress via MidiaNews: Lula declara ao TSE que patrimônio caiu R$ 2,6 milhões (08/08/2026)
BP Money: Lula declara R$ 4,7 milhões, 35% a menos que em 2022 (08/08/2026)
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